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A Sintaxe da Terra de Dentro



Por André Antônio

Li numa crítica sobre Coração selvagem (Wild at heart, 1990) que David Lynch, seu dietor, tinha “sensibilidade pós-moderna”. Depois de ver o filme, ponderei por algum tempo e concluí que a afirmação deve ser analisada com mais profundidade – pois ela pode querer dizer qualquer coisa, uma vez que o termo “pós-moderno” hoje em dia é usado de maneira muito vaga e despreocupada, atribuído a todo e qualquer fenômeno. Levemos em conta, no entanto, que “pós-modernista” é aquela cultura que se forma para legitimar o novo estágio de evolução do capitalismo (chamado de, dentre outros termos, “capitalismo tardio”), mais ou menos depois dos anos 60. Nessa época, a consciência aguda da institucionalização das vanguardas e o insucesso em fugir da “reciclagem” (transformação em mercadoria) feita pela indústria cultural de movimentos contrários ao “status quo” levam a uma diluição das barreiras entre arte erudita e cultura de massa (uma desistência da “luta estética” das vanguardas e a incorporação, à arte, de estratégias do que se considerava a produção cultural para o divertimento e controle das massas). O pós-modernismo tem como base uma lógica de pensamento que se concretizara com a teoria pós-estruturalista: uma descrença na história, na verdade e uma apologia ao descentramento.

Dentro desse campo de forças culturais, não há apenas uma possibilidade de movimentação para o artista. Por exemplo, a descrição que segue do pós-modernismo pode ser constatada em várias produções Continuar lendo

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