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“Você pediu um ano… O tempo não consta…”



Por Marília Amorim

Minha primeira impressão ao assistir o filme, O Ano Passado em Marienbad”, foi a de estar diante de um livro de contos do realismo-fantástico, ou de uma leitura repleta de jogos de linguagem, de vários paradoxos e antíteses, onde o leitor só encontra um ponto final, quando não se perde nesse labirinto de letras, ou quando encontra a si mesmo em qualquer parte desse labirinto.

Num segundo momento, pensei estar diante de um sonho, do qual reajo estática ao despertar, permanecendo assim por alguns segundos até perceber que estou, de fato, acordada. Recordo algumas imagens e esqueço outras. Depois elas voltam e assim me lanço a esse jogo durante todo o dia. Sem saber sua cronologia, implicação, verdade e lógica. E tudo se perde na minha memória. Até que em um doce momento me encontro com essas imagens perdidas numa esquina, então, me espanto, pois já não sei seelas realmente aconteceram ou se habitam o meu mundo devaneador.

Marienbad” é o limite da lembrança: é a dúvida da realidade, a busca da memória e o labirinto do ser… Ser enquanto submerso no tempo. Tempo enquanto medida para realidade. Ser enquanto habitante do espaço silencioso de suas próprias sensações. Espaço enquanto plano externo das íntimas representações.

O filme foi lançado no ano de 1961, França/Itália, e é uma das Continuar lendo

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Acelerado



Por Marília Amorim

Um balé surreal de imagens. E o que mais você espera que possa ser dito sobre algo assim definido?

O movimento da cidade, o movimento do homem, o movimento da cidade no homem, do homem na cidade. Cada um em seu tempo. Cada um, seu mais interligado gesto. De quantas formas você poderia olhar cada um desses passos? Você conseguiria acompanhar essa seqüência de movimentos?

Bom, um barquinho de papel consegue acompanhar toda essa tempestade de idéias, embora, com dificuldades de equilíbrio. Em contrapartida, dança como uma água-viva ao mar, uma graciosa bailarina, ou melhor, um bailarino barbudo. (Ou não. Os dois em um só. Enfim, não importa qual o sexo. Importa é como ele consegue ser leve no meio de tanta euforia). Aqui já não há dificuldades de equilíbrio, mas uma grande beleza vista de baixo para cima.

E o que é real nesse balé? Que sentido tem nisso tudo? A busca pela explicação, talvez, seja Continuar lendo