Su Friedrich: Os Laços que Unem (EUA, 1985), Afunde ou Nade (EUA, 1990), Regras da Estrada (EUA, 1993)

Neste sábado, dia 25 de agosto, o Cineclube Dissenso exibe dois médias e um curta-metragem da diretora americana Su Friedrich, numa parceria com o Fórum LGBT de Pernambuco, em ocasião do Dia da Visibilidade Lésbica.

Localizada dentro do que se convencionou chamar Cinema Lésbico Independente Americano, Friedrich, junto com nomes como Barbara Hammer, Jan Oxenberg e Sadie Benning, investigou, ao longo dos anos 70, 80 e 90, novas formas de representação, em busca de uma alternativa aos modelos patriarcais que interditavam a possibilidade de identificação e agência aos personagens femininos, tornando-os meramente objetos do desejo voyeurístico para o olhar dos personagens/espectadores masculinos, conforme descrito por Laura Mulvey.

Os três filmes de Friedrich que exibimos filiam-se à corrente de documentários de auto-ficção. São relatos memorialistas, pessoais, onde a narração confessional é o fio condutor das tramas. O primeiro, “Os Laços que Unem”, dá voz às memórias da mãe da diretora, alemã que viveu toda a ascensão nazista que culminou na Segunda Guerra Mundial, antes de fugir para os EUA. É na tensão entre a consciência da luta que, de alguma forma, empreendeu contra o regime e a culpa por fazer parte da nação que gerou-o que o filme equilibra-se.

O segundo, “Afunde ou Nade”, centra-se na relação conflituosa entre a diretora e seu pai. Utiliza-se de um relato que mistura lembranças, mitos e fantasias de sua infância e adolescência para dar corpo aos sentimentos contraditórios e mapear as marcas e cicatrizes que o vínculo entre eles foi deixando ao longo do tempo.

Por fim, “Regras da Estrada” foca seu relato no automóvel que entra na vida da diretora e de sua parceira em determinado momento. Mudando rotinas e propondo a revisão de conceitos e valores, o automóvel-narrador, símbolo de um modo de vida burguês, irá catalisar e refletir as várias fases do relacionamento delas, materializando as memórias e experiências “da mesma forma que os assentos de tecido marrom impregnaram-se com o cheiro de fumaça de todos os cigarros que fumamos.”

A atenção dada a narração em off, nos três filmes, parece subordinar as imagens à voz, num descentramento da percepção primordial para a lógica patriarcal – a visão – conforme defende Donna Haraway, em seus estudos sobre o desenvolvimento das artes visuais e da geografia. Ainda assim, as imagens dos filmes – uma mistura de home movies da família, imagens documentais e referências à cultura visual ocidental – adquirem certa autonomia ao não somente ilustrarem as palavras. Elas criam, na verdade, uma variedade de relações: acentuando ou removendo o peso do que é dito, propondo novos sentidos, denunciando as intenções ocultas ou inconscientes por trás da narração e até entrando em confronto direto com ela, numa rica trama de imagens e vozes.

SERVIÇO

Su Friedrich:
– Os Laços que Unem (EUA, 1985)
– Afunde ou Nade (EUA, 1990)
– Regras da Estrada (EUA, 1993)
Sábado, 25 de agosto de 2012, às 13h45, com debate após a sessão
Cinema da Fundação
Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, Derby, 609

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