Arquivo mensal: julho 2012

Mostra Beckett – Programação

Mais uma vez o Cineclube Dissenso expande sua agenda para realizar mostra especial durante quatro dias de julho. Entre os dias 25 e 28, de quarta a sábado, o coletivo exibirá o Projeto Beckett on Film, programa que integra 19 filmes realizados entre 2000 e 2002, numa co-produção Irlanda/Inglaterra, a partir de peças e textos originais de Samuel Beckett. A presença de renomados diretores e elenco garante o diferencial das adaptações, todas rigorosamente ancoradas no imaginário do escritor/dramaturgo que ficou conhecido por aprofundar o Teatro do Absurdo e fazê-lo um dos grandes sintomas da Arte Moderna. Durante a semana, as sessões ocorrerão na Sala João Cardoso Ayres (18h) e no sábado, encerraremos a Mostra dentro do Cinema da Fundação (14h). Como sempre, as sessões são gratuitas e seguidas por um debate aberto ao público.

Serviço:

Mostra Beckett
De quarta (25) a sábado (28)
Entrada Franca
Sala João Cardoso Ayres / Cinema da Fundação
Endereço: Av. Henrique Dias, 609 – Derby
Informações: 3073-6767 (Fundação Joaquim Nabuco)

Dia 25, Quarta, 18h (Sala João Cardoso Ayres)
Breath (Damien Hirst, 1’)
Catástrofe (David Mamet, 6’)
Esboço Para Teatro I (Kieron J. Walsh, 18’)
Esboço Para Teatro II (Katie Mitchell, 28’)
Dias Felizes (Patricia Rozema, 77’)

Dia 26, Quinta, 18h (Sala João Cardoso Ayres)
Not I (Neil Jordan, 15’)
Encenação (Anthony Minghella, 16’)
Ir e Vir (John Crowley, 8’)
O Improviso de Ohio (Charles Sturridge, 11’)
What Where (Damien O’Donnell, 13’)
That Time (Charles Garrad, 20’)
A Última Gravação (Atom Egoyan, 60’)

Dia 27, Sexta, 18h (Sala João Cardoso Ayres)
Rockaby (Richard Eyre, 14’)
Footfalls (Walter D. Asmus, 27’)
Um Fragmento de Monólogo (Robin Lefebvre, 19’)
Fim de Partida (Conor McPherson, 81’)

Dia 28, Sábado, 14h (Cinema da Fundação)
Ato Sem Palavras I (Karel Reisz, 15’)
Ato Sem Palavras II (Enda Hughes, 10’)
Esperando Godot (Michael Lindsay-Hogg, 113’)

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Chumlum (Ron Rice, EUA, 1964) + Johan (Philippe Valois, França, 1976)

O cinema sempre teve na performance dos corpos filmados um grande elemento de modulação de sua escrita. Fosse nos gestos e expressões potentes do período silencioso, que codificaram uma grande variedade de sentimentos e sensações. Ou em atuações prosaicas de movimentos e momentos realistas, onde a identificação e o sentido de verdade foram alvos prioritários. Ou ainda em estratégias mais radicais e autorais, como uma hiper-expressividade buscando o estranhamento, ou um esvaziamento expressivo apontando para dimensões transcendentais. De volta ao Cinema da Fundação, neste sábado, 14 de julho, excepcionalmente às 14h30, o Cineclube Dissenso exibe dois filmes, cada um deles com estratégias singulares de articulação da performance: o curta Chumlum , de Ron Rice (EUA, 1964) e o longa Johan, de Philippe Valois (França, 1976).

Rice insere-se entre os diretores do cinema underground americano dos anos 1960, junto com Jack Smith, Ken Jacobs e Andy Warhol. A exemplo de outros filmes do grupo, Chumlum leva a performance ao paroxismo, inspirando-se no cinema narrativo clássico no que ele tem de mais popular, mas extraindo dele somente a superfície, o efeito, e removendo quaisquer traços de narratividade. O conteúdo é a performance em si.

Já Vallois não nega a herança roucheana. Buscando conhecer o ex-amante, Johan, presença ausente que assombra toda a duração do filme, ele parte em busca de um ator que consiga captar-lhe a essência a partir de lembranças e pistas deixadas para trás. Performance como descoberta. Ou, ainda, performance como pretexto para novos encontros e novas experiências, que constroem novos mistérios.

Lembrando:

  • O cineclube está de volta ao Cinema da Fundação.
  • O horário da sessão será, excepcionalmente, 14h30.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Chumlum (Ron Rice, EUA, 1964) + Johan (Philippe Valois, França, 1976)
Sábado, 14 de julho de 2012, às 14h30, com debate após a sessão
Cinema da Fundação
Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, Derby, 609

O Tempo do Lobo (França/Áustria/Alemanha, 2003), de Michael Haneke

O Tempo do Lobo

No próximo sábado (30/06/2012), às 14h, na Sala João Cardoso Ayres, o Cineclube Dissenso retoma as suas atividades exibindo o filme ‘O Tempo do Lobo’ (França / Áustria / Alemanha, 2003), do diretor Michael Haneke. Premiado várias vezes no Festival de Cannes, inclusive recebendo a última Palma de Ouro pelo ainda inédito ‘Amor’, o diretor foi reconhecido internacionalmente por produções como ‘Violência Gratuita’ (1997), ‘A Professora de Piano’ (2001) e ‘Cachê’ (2005), afirmando a secura e rigor de um projeto de cinema em que imagens invocam direta ou indiretamente circunstâncias violentas. O próprio Cineclube já exibiu anteriormente duas produções do aclamado cineasta, ‘O Sétimo Continente’ (1989), seu primeiro filme e o não menos perturbador ‘Benny’s Vídeo’ (1991). A entrada é gratuita e após a sessão, debate na mesma sala de exibição.

‘O Tempo do Lobo’ se passa num contexto pós-apocalíptico de textura bucólica, ou seja, sem qualquer parafernália robótica tão comum às visões futuristas, e acompanha a jornada pela sobrevivência de uma família, cuja matriarca é interpretada pela parceira constante, Isabelle Huppert. Os sobreviventes vão se agregando em pequenas comunidades, desenvolvendo novos parâmetros sociais, repensando toda uma ordem do consumo e se protegendo como podem de um mundo decadente e hostil, onde os relógios já não servem para nada.

Durante o lançamento do filme, a crítica internacional comentou que Haneke estava, enfim, revelando as nuances de seu humanismo, deixando transparecer, ainda que de maneira dura, uma crença na humanidade, geralmente obtusa em outras obras. No entanto, tal perspectiva surge inundada de ambiguidade, com presença do tédio, do pessimismo, da incomunicabilidade e do desespero na relação entre os indivíduos, marcas que consolidaram seu nome no cenário cinematográfico contemporâneo. Imperdível.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
O Tempo do Lobo (França/Áustria/Alemanha, 2003), de Michael Haneke
Sábado, 30 de junho de 2012, às 14h, com debate após a sessão
Sala João Cardoso Ayres
Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, Derby, 609