Arquivo mensal: maio 2012

Calvário (Bélgica, França, Luxemburgo, 2004), de Fabrice Du Welz

Neste sábado, 26 de maio, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe um dos filmes que melhor representa a nova safra do cinema de horror europeu: o belga “Calvário” (2004), de Fabrice Du Welz. Premiado em Festivais especializados no gênero, a obra nos apresenta um cantor (Laurent Lucas) que tem sua van quebrada e consegue abrigo numa pequena e estranha vila. Envolvido pelo administrador da pousada em que se hospeda, ele descobre que não mais poderá abandonar o lugar, ficando aprisionado num pesadelo sem fim. “Calvário” tem a participação especial de Brigitte Lahaie, ícone do cinema pornô francês e igualmente musa nos filmes de gênero. A sessão, que marca a entrada de Osvaldo Neto no quadro de curadores do Cineclube Dissenso, ocorrerá na Sala João Cardoso Aires, sendo imediatamente seguida de debate aberto ao público. A entrada é franca.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Calvário (Bélgica/França/Luxemburgo, 2004) de Fabrice Du Welz
Sábado, 26 de maio de 2012, às 14h, com debate após a sessão
Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, Derby, 609

Kaos (Itália, 1984), de Paolo & Vittorio Tavianni

Por Fernando Mendonça

Neste sábado, 12 de Maio, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe Kaos (Itália, 1984), um dos mais importantes trabalhos dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, recentes vencedores do Urso de Ouro em Berlim. Inspirado em contos de Luigi Pirandello, o filme assume sua relação com o escritor desde o título, derivado de um nome dado ao bosque (Cávusu, de mesma origem grega) localizado na região da Sicília em que Pirandello nasceu. Nome literal e alegórico, característico de um autor que comprova por seus escritos ser Filho do Caos, de uma força típica das paisagens que a Itália meridional evoca, o sentimos nas imagens dos Tavianni desde a abertura dos créditos: uma panorâmica que se repete por todo o filme, interligando os episódios narrativos.

Nos aproximados 180 minutos de Kaos, as intrigas se aglomeram: O Corvo de Mizzaro (breve prólogo); O Outro Filho; O Mal da Lua; O Vaso; Réquiem; Colóquio Com a Mãe. Cada um dos textos vê restituído em imagens o interesse criativo de Pirandello, num estilo árido, seco, privilegiado pela simplicidade visual típica aos diretores. Atmosfera que coaduna toda uma perspectiva outrora assumida pela literatura: em Pirandello, as coisas são o que são, e por mais que elas se resumam à forma fixa de um ponto de vista (sempre questionável enquanto produto da realidade), nunca sabemos se o lugar por elas ocupado pode definir-se como de sanidade ou de loucura, como de fato ou ficção, apropriado ao riso ou à lágrima.

Dando continuidade ao flerte que sempre aproximou seu cinema das letras clássicas, os Tavianni encontram nos escritos de Pirandello o motivo por excelência de sua própria Modernidade: a permanente dúvida diante do que se vê. Para o escritor, uma imagem narrativa nunca é totalizante, pois não pode ser sentida senão pela metade, enquanto fragmento de um mundo rompido e esvaziado de concretude objetiva. Da mesma forma, vemos no cinema dos irmãos italianos, um equivalente desejo pela manutenção do enigma, onde todo e qualquer realismo (no caso, um pós-neorealismo) só pode ser efetuado mediante um desregramento da ordem natural, um inevitável caos.

A sessão ocorrerá na Sala João Cardoso Aires, sendo imediatamente seguida de um debate aberto ao público. A entrada é franca.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Kaos (Itália, 1984), de Paolo & Vittorio Tavianni
Sábado, 12 de maio de 2012, às 14h, com debate após a sessão
Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, Derby, 609