Arquivo mensal: março 2008

A Pele



Por Thiago Rocha

O diretor Steven Shainberg deixa claro, logo no início, como será o jogo e suas regras: A pele (2006) não é um filme biografia da fotógrafa americana Diane Airbus e sim, uma recriação a partir de fatos de sua vida. Tudo bem. E ele conseguiu fazê-lo. Mas aí eu entro com minhas reservas. Primeiramente, eu achei que seria um filme de direção de arte, de movimentos de câmera interessantes, um filme bem visual e isso ele ensaia no começo, pelo menos até uns vinte minutos de projeção. Depois, ele “perde a mão” e passa a recontar a estória da Bela e a Fera, da Disney. A bela, claro, é a Diane (Nicole Kidman) e a fera é o homem que mora no apartamento em cima do dela, Lionel (Robert Downey Jr), que tem uma doença genética que o deixa com o corpo todo coberto de pêlos (será que vem daí o nome desse personagem fictício: Lionel – lion – leão – juba – pêlos…). A referência com o filme da Disney é muito óbvia, com o vestido azul e tudo da Diane/bela e o fato do monstro ser peludo. Só faltou eles dançarem valsa. Mas aí, o diretor, pelo menos nesse ponto, demonstrou bom senso. Seria apelar demais.

Em momento algum ele se propõe a falar da obra da fotógrafa; não a mostra tirando fotos (só uma no final), confirmando que ele realmente leva até o fim sua proposta inicial, mas, ao mesmo tempo, acabou por Continuar lendo

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Filmes de Amor



Por Fábio Leal

Os filmes de amor provavelmente formam o subgênero mais rechaçado pela crítica cinematográfica. Isso acontece por um motivo extremamente simples: o amor não passa pela razão. Querer criticar, analisar, dissecar filmes de amor é uma luta inglória. Apesar de todos os louros que as formas midiáticas de expressão dão à razão, não há razão que justifique o amor. Não há razão, por melhores que sejam os argumentos, que convença o amor a não existir. Então, por que não parar de pensar, de discutir e de blablablar e apenas sentir?

Sim, os filmes de amor, quase todos eles, são ridículos. Mas não seriam filmes de amor se não fossem ridículos. (Tomando emprestada a idéia do poeta que tem tantas idéias emprestadas, roubadas, diluídas e descontextualizadas. Espero que esse não seja o caso). No nosso mundo, ninguém acredita que uma mulher como Audrey Hepburn sairia correndo na rua, durante uma tempestade, vestida num Givenchy e com um penteado chiquérrimo. A não ser que ela esteja atrás do homem que ela ama. Nesse caso, não só acreditamos como Continuar lendo

Michael Haneke, por Serge Toubiana



Por Rodrigo Almeida

Só um rápido comentário: a primeira vez que escutei alguém conhecido falar sobre ‘Funny Games’ (1997), foi, há vários anos, por volta de 2003, quando um amigo, João, o mencionou com insatisfação. Sem delongas ou paciência, revelou de imediato que sequer conseguiu chegar ao final do filme, tamanho o incômodo que o dominou depois da cena em que o garoto rebobina a própria história – cena que carrega um alívio cruel de tão efêmero. Pois é, João desligou ali mesmo. Dois dias depois quando o encontrei na universidade, ele passou uns 20 minutos argumentando como aquela obra tinha lhe feito mal; lhe angustiado a ponto de desistir da posição de espectador (ou cúmplice, se preferirem). E não se tratava de uma desistência dessas de quando estamos zappiando despreocupados pela T.V. e desistimos de cansaço e vamos dormir tranquilamente. Longe disso. A desistência aqui carrega outro simbolismo. A entrevista a seguir trata muito bem disso. Acontece que diante da lembrança de Funny Games, o incômodo não passava e apesar de João ter detestado e re-afirmado sempre que possível esse juízo de valor, suas pequenas descrições, breves análises ou mesmo xingamentos passavam uma impressão contrária. Um desgosto agressivo e uma admiração encoberta. Gostei de escutar esse paradoxo e fiquei naturalmente curioso. Essa mesma contradição me abateu no ano seguinte com Elefante (2003), de Gus Vant Sant. Lembro que ainda sob efeito da sessão, terminei Continuar lendo

Pitching Nacional: Cine Ceará / Globo Filmes

Por Rodrigo Almeida – com informações do edital

A Globo Filmes realizará uma sessão de pitching de âmbito nacional durante o 18º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, no intuito de selecionar um argumento ou roteiro para produção de obra audiovisual cinematográfica brasileira de ficção. Vulgo roteiro de ficção. Apesar de no edital não estar bem especificado, a iniciativa é voltada para propostas de longas-metragens, tendo os argumentos delimitados entre 20 e 40 páginas e os roteiros entre 80 e 120. As inscrições para a pré-seleção devem chegar à produção do evento até o dia 25 de março (observem que diferente da maioria dos editais, aqui não vale a data de postagem), mas antes é preciso preencher um formulário no site (link abaixo). Uma comissão julgadora do Festival pré-selecionará no máximo 10 (dez) argumentos ou roteiros (anunciando tal resultado no dia 03 de abril) e seus proponentes serão convocados para defendê-los no dia 16 de abril, diante de banca examinadora da Globo Filmes. Entenda por ‘convocados’ como recebimento de passagem aérea de ida e volta, a partir da localidade mais próxima possível de seu domicílio até a cidade de Fortaleza e respectivo retorno; despesa de hospedagem e despesas com alimentação. Resumindo, o Cine Ceará banca tudo se você ficar no Top Ten. Temos 9 dias para enlouquecer na correria contando a partir de hoje – claro que a essa altura só quem já tiver um esboço de longa é que pode conseguir enviar a tempo. Recomendo o sedex 10 para os atrasados, confiantes e ricos (já usei e realmente chega até Continuar lendo