Joca entrou no buraco
Maio 12, 2008, 1:03 pm
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(Amigos de Risco, 2007, de Daniel Bandeira)
(Por Luís Fernando Moura)
Luís Fernando é graduando em Comunicação Social / Jornalismo pela UFPE.
Em comentário para o site Cinema Escrito, Carlos Reichenbach apontou a compreensão de uma divisão narrativa em Amigos de Risco. Seriam dois momentos de enfoques distintos, tratando dos espaços e dos personagens sob a complexidade de diferentes dimensões. Num primeiro instante, o tom, o ritmo e a profundidade de uma “crônica urbana” imprimiriam as marcas de um espaço “ultra local”, a fim de referenciar cada personagem em um ambiente geográfico (o Recife, a urbe, a periferia), social (classe média baixa), afetivo (a amizade, o companheirismo, a história individual). A progressão dos diálogos e a apresentação destes conflitos “crônicos” revelam uma imersão psicológica - e também sociológica - na busca de palpabilidade para os três personagens: Joca (Irandhir Santos), Nelsão (Paulo Dias) e Benito (Rodrigo Riszla). O apego que se funda a partir de tal construção narrativa é responsável pelo resgate de um universo reconhecível de referências: a periferia das grandes cidades, a violência, a criminalidade e também a relação orgânica entre os companheiros que, a partir de um embate profícuo, infiltram-se (mais…)
Cobertura Cine-PE 2008

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O Blog Dissenso convida todos os visitantes, curiosos e pára-quedistas a participarem da cobertura do Cine PE 2008, que ocorrerá oficialmente de 28 de abril a 04 de maio no Centro de Convenções, com sessões especiais de curtas pernambucanos nos dias 26 e 27, no Cinema da Fundação. Além de nossos colaboradores (ou, ao menos, os dispostos), podem contribuir, com qualquer forma de material, todos os interessados que estejam freqüentando as sessões, oficinas ou palestas do festival e que tenham alguma opinião a defender. Mesmo os que vão pelo pseudo-glamour ou para rir dele estão convidados. Em resumo e a grosso modo, a cobertura funcionará da seguinte maneira: diariamente será postada a programação do dia do Cine PE e no espaço de comentário, abaixo do post, ficará disponível o espaço para todo texto opinativo, no intuito de formar um fórum totalmente aberto. Todos podem opinar - inclusive os realizadores das obras. Eventualmente poderão surgir matérias especiais, como entrevistas, crônicas, vídeos, podcasts, mas não garantimos a certeza disso, pois essa cobertura é totalmente independente, gerida apenas pelo velho prazer de ir ao cinema. E esse puro prazer nem sempre colhe bons resultados.
Para sugestões, reclamações, colaborações e xingamentos, o nosso email é: dissensocritico@gmail.com
Rodrigo Almeida
Os dois lados da moeda humana em Cronenberg
Abril 23, 2008, 8:03 am
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(Senhores do Crime, 2007, de David Cronenberg)
(Por Fernando Mendonça)
Fernando Mendonça é Bibliotecário e Mestrando em Teoria da Literatura pela UFPE.
“Um dos fenômenos que atraía especialmente minha atenção era a estrutura do corpo humano e, também, de qualquer ser dotado de vida. Muitas vezes perguntava a mim mesmo se o princípio vital não teria a sobrevivência em estado latente. Pergunta arrojada, sem dúvida, que sempre foi considerada um mistério”.
Mary Shelley. FRANKENSTEIN
Não é segredo que a genialidade do canadense David Cronenberg tem se revelado num ápice incansável há um bom número de anos. Incontestável autor cinematográfico, sua carreira tem sido construída numa obra de tão profunda coerência temática e estética que poucos ousam duvidar da ousadia de suas criações, ainda que não alcancem lugar-comum as inúmeras reações e interpretações alçadas ao redor de sua filmografia. Muito já foi discutido a respeito dos ideais pós-modernos presentes em sua arte e não são poucos os teóricos que o elevam a estatura de pensador contemporâneo, principalmente por trabalhar com insistência questões delicadas que envolvem as tecnologias (virtualidades) em relação ao corpo humano e àquilo que diz respeito a sua (mais…)
V Concurso de Roteiros Rucker Vieira
Abril 19, 2008, 4:40 pm
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(Por Rodrigo Almeida - com informações do edital)
Vou começar no esqueminha lead mesmo: a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), através de sua produtora, a Massangana Multimídia Produções da Diretoria de Cultura, em parceria com a TV Brasil, lançará oficialmente durante o Cine-PE, entre 28 de abril e 04 de maio, a chamada para o V Concurso de Roteiros Rucker Vieira. Essa iniciativa irá premiar dois projetos para Documentário de Curta-Metragem Digital, ou seja, para realização de produtos audiovisuais cuja duração encontra-se estimada entre 15 e 26 minutos, sendo impressos e apresentados em formato Mini DV. O Concurso é de âmbito nacional (para pessoas físicas e jurídicas) e, nessa edição, aparece vinculado ao tema “Representação do Nordeste na Produção Artística Contemporânea“. Segundo o Edital, as propostas inscritas devem ser desenvolvidas “mostrando um ou vários exemplos de como artistas e/ou intelectuais brasileiros vêm apresentando o Nordeste em suas obras. O foco dessa representação do Nordeste, necessariamente, deve abordar visões diferenciadas da Região, que escapem dos estereótipos de Nordeste agropastoril e unicamente rural. Buscar-se-á, assim, estimular o (mais…)
“Você pediu um ano… O tempo não consta…”
Abril 18, 2008, 10:13 pm
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(O Ano passado em Marienbad, 1961, de Alain Resnais)
(Por Marília Amorim)
Marília Amorim é graduanda em Filosofia pela UFPE.
Minha primeira impressão ao assistir o filme, “O Ano Passado em Marienbad”, foi a de estar diante de um livro de contos do realismo-fantástico, ou de uma leitura repleta de jogos de linguagem, de vários paradoxos e antíteses, onde o leitor só encontra um ponto final, quando não se perde nesse labirinto de letras, ou quando encontra a si mesmo em qualquer parte desse labirinto.
Num segundo momento, pensei estar diante de um sonho, do qual reajo estática ao despertar, permanecendo assim por alguns segundos até perceber que estou, de fato, acordada. Recordo algumas imagens e esqueço outras. Depois elas voltam e assim me lanço a esse jogo durante todo o dia. Sem saber sua cronologia, implicação, verdade e lógica. E tudo se perde na minha memória. Até que em um doce momento me encontro com essas imagens perdidas numa esquina, então, me espanto, pois já não sei se (mais…)
“… e o resto pode sacudir as jóias”
Abril 14, 2008, 12:42 am
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(Shine a Light, 2008, de Martin Scorsese)
(Por Rodrigo Almeida)
Mick Jagger queria que Shine a Light fosse gravado durante o show dos Stones em Copacabana. Scorsese achou melhor que não. Caso a sugestão do músico fosse acatada pelo cineasta, a mudança do cenário não seria uma mera troca de última hora, mas um elemento de influência permanente sobre todos os outros elementos, da produção aos traços estéticos. Outro show, outro espírito, outro filme. Essa mudança viria acompanhada de um risco maior, com conseqüências maiores para o bem ou mal do resultado final. Tudo podia dar errado, de fato. Na verdade, nem seria muito complicado que tudo desse errado. É bem simples colocar uma pré-produção monstruosa por água abaixo, quando se tem como objeto uma apresentação para um público ainda mais monstruoso. Em especial no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. Poderíamos ter algo próximo ao show no Hyde Park (1969), todo paz e amor, ou até um novo Gimme Shelter (1970) com mortes e tudo - o que seria uma besteira. Provavelmente Scorsese quis buscar sua própria intimidade com aquela banda e não repetir a visualidade do mega-concerto já tão banalizada nos Stones, apesar de sua obra se focar quase que estritamente na (mais…)
Cinema e experiência: reflexões pessoais a partir de “The pervert’s guide to cinema”
Abril 8, 2008, 3:01 am
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(The Pervert’s Guide to Cinema, 2006, de Sophia Fiennes e Slavoj Zizek / A Estrada Perdida, 1997, de David Lynch)
(Por André Antônio)
André Antônio é graduando em Comunicação Social/ Jornalismo pela UFPE
Há uma cena em A estrada perdida de David Lynch em que, depois de o protagonista inicial, Fred (Bill Pulman), se transformar sem nenhuma explicação no jovem de 24 anos Peter (Balthazar Getty), Patrícia Arquette, a antes morena esposa de Fred, Renee, aparece ao jovem loira, desta vez como Alice, a amante de um perigoso gangster. Ela sai de dentro do Cadillac preto dele na oficina em que Peter trabalha. Uma guitarra intensa é ouvida. Intensa e ao mesmo tempo triste. Ela anda em câmera lenta, os cabelos lindamente balançando. Ela olha pra Peter. O rosto dele é visto em um close muito fechado.
Quando vi A estrada perdida pela primeira vez, a cena (e o filme como um todo, certamente) teve um tremendo impacto sobre mim. O mistério aberto a milhares de interpretações que estrutura o filme inteiro, o clima perturbador, a atmosfera assustadora fizeram com que eu ficasse com as imagens na cabeça durante semanas, baixasse a trilha sonora e a ouvisse compulsivamente. A cena em questão é, em minha opinião, o (mais…)
Acelerado
Abril 7, 2008, 2:07 pm
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(Entreato, 1924, de René Clair)
(Por Marília Amorim)
Marília Amorim é graduanda em Filosofia pela UFPE.
Um balé surreal de imagens. E o que mais você espera que possa ser dito sobre algo assim definido?
O movimento da cidade, o movimento do homem, o movimento da cidade no homem, do homem na cidade. Cada um em seu tempo. Cada um, seu mais interligado gesto. De quantas formas você poderia olhar cada um desses passos? Você conseguiria acompanhar essa seqüência de movimentos?
Bom, um barquinho de papel consegue acompanhar toda essa tempestade de idéias, embora, com dificuldades de equilíbrio. Em contrapartida, dança como uma água-viva ao mar, uma graciosa bailarina, ou melhor, um bailarino barbudo. (Ou não. Os dois em um só. Enfim, não importa qual o sexo. Importa é como ele consegue ser leve no meio de tanta euforia). Aqui já não há dificuldades de equilíbrio, mas uma (mais…)
A Pele
Março 25, 2008, 2:04 am
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Thiago Rocha

(A Pele, 2006, de Steven Shainberg)
(Por Thiago Rocha)
O diretor Steven Shainberg deixa claro, logo no início, como será o jogo e suas regras: A pele (2006) não é um filme biografia da fotógrafa americana Diane Airbus e sim, uma recriação a partir de fatos de sua vida. Tudo bem. E ele conseguiu fazê-lo. Mas aí eu entro com minhas reservas. Primeiramente, eu achei que seria um filme de direção de arte, de movimentos de câmera interessantes, um filme bem visual e isso ele ensaia no começo, pelo menos até uns vinte minutos de projeção. Depois, ele “perde a mão” e passa a recontar a estória da Bela e a Fera, da Disney. A bela, claro, é a Diane (Nicole Kidman) e a fera é o homem que mora no apartamento em cima do dela, Lionel (Robert Downey Jr), que tem uma doença genética que o deixa com o corpo todo coberto de pêlos (mais…)
Filmes de Amor

(Por Fábio Leal)
Os filmes de amor provavelmente formam o subgênero mais rechaçado pela crítica cinematográfica. Isso acontece por um motivo extremamente simples: o amor não passa pela razão. Querer criticar, analisar, dissecar filmes de amor é uma luta inglória. Apesar de todos os louros que as formas midiáticas de expressão dão à razão, não há razão que justifique o amor. Não há razão, por melhores que sejam os argumentos, que convença o amor a não existir. Então, por que não parar de pensar, de discutir e de blablablar e apenas sentir?
Sim, os filmes de amor, quase todos eles, são ridículos. Mas não seriam filmes de amor se não fossem ridículos. (Tomando emprestada a idéia do poeta que tem tantas idéias emprestadas, roubadas, diluídas e descontextualizadas. Espero que esse não seja (mais…)
Michael Haneke, por Serge Toubiana
(Por Rodrigo Almeida)
Só um rápido comentário: a primeira vez que escutei alguém conhecido falar sobre ‘Funny Games’ (1997), foi, há vários anos, por volta de 2003, quando um amigo, João, o mencionou com insatisfação. Sem delongas ou paciência, revelou de imediato que sequer conseguiu chegar ao final do filme, tamanho o incômodo que o dominou depois da cena em que o garoto rebobina a própria história - cena que carrega um alívio cruel de tão efêmero. Pois é, João desligou ali mesmo. Dois dias depois quando o encontrei na universidade, ele passou uns 20 minutos argumentando como aquela obra tinha lhe feito mal; lhe angustiado a ponto de desistir da posição de espectador (ou cúmplice, se preferirem). E não se tratava de uma desistência dessas de quando estamos zappiando despreocupados pela T.V. e desistimos de cansaço e vamos dormir tranquilamente. Longe disso. A desistência aqui carrega outro simbolismo. A entrevista a seguir trata muito bem disso. Acontece que diante da lembrança de Funny Games, o incômodo não passava e apesar de João ter detestado e re-afirmado (mais…)
Pitching Nacional: Cine Ceará / Globo Filmes
(Por Rodrigo Almeida - com informações do edital)
A Globo Filmes realizará uma sessão de pitching de âmbito nacional durante o 18º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, no intuito de selecionar um argumento ou roteiro para produção de obra audiovisual cinematográfica brasileira de ficção. Vulgo roteiro de ficção. Apesar de no edital não estar bem especificado, a iniciativa é voltada para propostas de longas-metragens, tendo os argumentos delimitados entre 20 e 40 páginas e os roteiros entre 80 e 120. As inscrições para a pré-seleção devem chegar à produção do evento até o dia 25 de março (observem que diferente da maioria dos editais, aqui não vale a data de postagem), mas antes é preciso preencher um formulário no site (link abaixo). Uma comissão julgadora do Festival pré-selecionará no máximo 10 (dez) argumentos ou roteiros (anunciando tal resultado no dia 03 de abril) e seus proponentes serão convocados para defendê-los no dia 16 de abril, diante de banca examinadora da Globo Filmes. Entenda por ‘convocados’ como recebimento de passagem aérea de ida e volta, a partir da localidade mais próxima possível de seu domicílio até a cidade de Fortaleza e respectivo retorno; despesa de hospedagem e (mais…)